Que tendências de IA uma agência independente deve acompanhar para não ficar para trás? A que mais importa não é uma ferramenta específica, mas uma mudança de escala. A IA barateia a execução e desloca o valor para a pesquisa, a estratégia e a coordenação entre especialidades. É por isso que as independentes estão se unindo. A boa notícia é que escala já não se mede apenas em headcount.
Outubro trouxe dois sinais claros da Espanha. Segundo o El Publicista, a Jungle criou a Jungle Design Industries, reunindo quatro empresas sob uma mesma estrutura: Move (branding), Redbility (design digital e experiência do usuário), Lúcid (design industrial e de serviços) e Invisible (estratégia, pesquisa e futuros). Juntas, empregam 100 pessoas em Madri, Barcelona e no País Basco, e faturaram 12 milhões de euros em 2025. Dias antes, o mesmo veículo noticiou que a SAMY estava comprando a agência americana Get Engaged para acelerar sua expansão nos Estados Unidos. (Transparência: a SAMY é cliente da Defy.)
Dois negócios muito diferentes, uma lógica em comum: juntar capacidades para competir com quem tem mais. O interessante é o papel que a IA desempenha nessa lógica e o que isso significa para as agências que não querem se fundir, ou não podem.
Por que as agências independentes estão se unindo?
Três motivos aparecem o tempo todo. O primeiro é a amplitude: grandes clientes querem menos fornecedores e mais integração. Segundo o El Publicista, as empresas do novo grupo trabalham para marcas como BBVA, Inditex, CaixaBank, Iberdrola, Repsol, Telefónica e Moeve. Com clientes assim, quatro empresas separadas pesam menos do que uma empresa com quatro disciplinas.
O segundo é a mensuração. A matéria cita o Spain Design Index 2026: 52,6% das empresas espanholas não têm indicadores para avaliar o impacto do design nos resultados, em um mercado que movimenta mais de 1 bilhão de euros por ano. Quem consegue provar resultado tem uma vantagem enorme.
O terceiro é a IA. A Jungle diz isso com todas as letras: a inteligência artificial está transformando os processos de trabalho e reduzindo os prazos de execução, o que faz a pesquisa, as decisões estratégicas e a coordenação de especialidades pesarem mais. Jaime Bisbal, que lidera o novo grupo, coloca assim: o design “deixou de ser uma especialidade” e se tornou “uma alavanca estratégica que influencia a forma como as empresas inovam”.
A IA é a causa ou a desculpa?
Há uma leitura cômoda de tudo isso: a IA muda tudo, então se fundir é inevitável. Isso é determinismo tecnológico, a ideia de que a tecnologia, por si só, dita como empresas e sociedade se organizam. Em parte, está certo. Quando a produção fica mais barata, o valor se desloca e as estruturas se rearranjam.
Mas a tecnologia empurra; não decide. A IA não obriga ninguém a se fundir. Ela força uma pergunta: onde está o seu valor agora? Se está na execução, você tem um problema de margem. Se está em entender as pessoas melhor do que ninguém, a IA é um multiplicador.
É por isso que o caos de hoje tem saída. Agências que conectam seus dados ao que sabem sobre as pessoas encontram clareza: quais serviços manter, quais automatizar, com quem se aliar. As que só empilham ferramentas empilham ruído.
O que “escala” significa quando a execução fica mais barata
Durante décadas, escala significou headcount. Mais gente, mais escritórios, mais contas. Os grupos holding acrescentaram outra camada: milhões investidos em analytics, dados e IA, que depois vendem aos clientes como diferencial. Diante disso, uma independente de 40 pessoas tinha poucas chances.
Agora escala começa a significar outra coisa: inteligência compartilhada. Uma camada comum de dados sobre públicos, concorrentes e criação à qual todas as disciplinas podem recorrer. Há três formas de obter essa camada, e nenhuma é de graça.
| Caminho | O que você ganha | O que você arrisca | O que a IA traz |
|---|---|---|---|
| Fundir-se com outras independentes, como a Jungle Design Industries | Amplitude de serviços e tamanho para atender grandes contas | Meses de integração, sobreposições e choques de cultura | Uma base de pesquisa compartilhada que conecta as especialidades |
| Entrar em um grupo com capital por trás, como a Get Engaged fez com a SAMY | Alcance global, tecnologia e talento, segundo o seu CEO, Alex Dermer | Autonomia e metas de crescimento que deixam de ser definidas por você | A tecnologia compartilhada do grupo |
| Continuar independente e se apoiar em plataformas que já existem | Autonomia, foco e velocidade de decisão | Dependência de fornecedores e a disciplina de adotar direito | Capacidade analítica de grupo holding sem o custo de desenvolvimento |
Quais tendências de IA as agências independentes devem acompanhar?
Esqueça as listas de cinquenta ferramentas. Para uma independente, estas são as cinco tendências que mexem na margem e ganham contas:
- Agentes para entregas repetitivas. Relatórios mensais, auditorias de concorrentes, acompanhamento de orçamento, redimensionamento de peças. É o trabalho que mais consome horas e menos faz diferença. A SAMY, por exemplo, reduziu seus relatórios de performance de três dias de trabalho para um com o Defy Agents.
- Dados que você consulta por conversa. A equipe faz perguntas aos dados como faria a um colega, a partir do assistente que já usa, em vez de aprender mais um dashboard.
- Conclusões rastreáveis. Insights que podem ser conferidos nos posts reais por trás deles. Quando o cliente pergunta “de onde isso vem?”, a resposta está a um clique.
- Criativos avaliados antes do investimento. Pontuar a probabilidade de clique de uma peça antes de pagar pela mídia muda a conversa sobre resultados.
- Medir impacto. Aqueles 52,6% de empresas sem indicadores de design são uma oportunidade para qualquer independente capaz de provar o que entrega.
Como decidir o seu caminho em cinco passos
- Audite para onde vão as horas. Durante um mês, separe o tempo de execução do tempo de reflexão. A proporção dirá quanta margem está em jogo.
- Liste o que os clientes pedem e você não tem. Faltam disciplinas e pessoas, ou dados e ferramentas? São problemas diferentes, com soluções diferentes.
- Decida o que construir, o que comprar e o que usar como serviço. Desenvolver e manter uma stack própria de dados e IA é exatamente o custo que as independentes não podem bancar. É aí que está a proposta da Defy: a mesma capacidade analítica e de IA dos grupos holding, sem o custo de construí-la nem o peso de mantê-la. Você pode ver como tudo se encaixa na plataforma da Defy.
- Faça um piloto em uma conta durante um trimestre. Meça as horas liberadas, a qualidade das entregas e a reação do cliente.
- Só então olhe para fusões ou alianças. Com dados da sua própria operação, você saberá o que realmente falta e não vai comprar tamanho para disfarçar um problema de ferramentas.
O que não muda
A consolidação vai continuar. Haverá mais negócios como o da Jungle e mais aquisições como a da SAMY. Mas o motivo de fundo não é que a IA torne as pessoas desnecessárias. É que a IA expõe quem traz julgamento e quem só traz horas.
As independentes sempre competiram nas mesmas coisas: proximidade, ofício e a coragem de dizer ao cliente o que ele não quer ouvir. A IA não substitui nada disso. Ela tira das mesas das pessoas as planilhas de horas, os relatórios mensais e as auditorias de concorrentes feitas à mão, para que o talento possa se dedicar ao trabalho que ganha contas.



